“Coltan” é a combinação de duas palavras que correspondem aos respectivos minerais: a columbita e a tantalita, dos quais se extraem metais mais cobiçados do que o ouro. Se tomarmos em conta que estes metais são considerados altamente estratégicos e agregarmos que 80% das suas reservas encontram-se na República Democrática do Congo, começaremos a vislumbrar porque há uma guerra neste país desde o dia 2 de agosto de 1998, porque dois países africanos como Ruanda e Uganda ocupam militarmente parte do território congolês, e porque já morreram mais de dois milhões de pessoas. O coltan é essencial para as novas tecnologias, estações espaciais, naves tripuladas que se lançam no espaço e às armas mais sofisticadas."
Um dos maiores crimes da atualidade é ainda hoje cometido, de forma discreta, desconhecida por quase todos, mas com consequências especialmente trágicas para todos aqueles que mais diretamente sofrem com ele. Trata-se da guerra civil na República Democrática do Congo, que nas últimas décadas já trouxe a morte a quase 6 milhões de congoleses e que foi abastecida com armas e munições de praticamente todos os países do mundo, mas com especial incidência para a China, para Israel e África do Sul.
Todo o armamento adquirido no Congo pelo governo ou pelas forças rebeldes foi entregue em troca dos recursos minerais do país, sobretudo do quase desconhecido minério com o nome de Nióbio (“coltan” em inglês) que é essencial para a fabricação de telemóveis, portáteis e consolas de jogos. O Congo é a maior fonte mundial do minério, concentrando mais de 80% de todas as reservas mundiais.
Os fabricantes que compram este “minério sujo” alegam desconhecer a sua proveniência, mas nada têm feito para instaurar um sistema de certificação de origem que possa assegurar que não há minério de sangue nos equipamentos que fabricam e comercializam. Sem este sistema, temos uma certeza de 80% de que os telemóveis, computadores portáteis ou consolas portáteis de jogos, enfim, todos os equipamentos que usam baterias, contêm matérias primas que resultaram ou de mineração clandestina nas regiões do Congo controladas pelos rebeldes ou que serviram para que a ineptas e desorganizadas forças governamentais se conseguissem manter à tona naquele que é hoje o mais longo e sangrento conflito interno do continente africano.
sábado, 28 de novembro de 2009
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ResponderExcluirhttp://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2009/02/o-coltan-e-a-guerra-do-congo.html
Ê capetalismo bizarro mano. E fica mais bizarro ainda se vc pensar que se não houvesse essa guerra no Congo, se não houvesse essa clandestinidade na extração e esse caos no país a mineração seria organizada e justa, com isso seria mais cara. Pire ai, ou seja, a guerra no congo pode ter como uma das justificativas o controle de preço do coltan. E ainda tem a cachorrada histórica dos diamantes tb né? Desde que o Congo era Belga tb. Valeu pela informação cara!
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